Mãe, Um Pedaço do Céu - Leonardo Sulivan

Homenagem do Blog à todas as amigas leitoras que são mães. Feliz dia das mães!!

DE ADÃO ATÉ O JUDAÍSMO - Série Curiosidades Bíblicas

Os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias, formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV a.C. Temos aqui um grande conjunto narrativo, que vai desde Adão até a organização da sociedade judaica depois do exílio na Babilônia (por volta de 400 a.C.). Essa história pode ser dividida em três grandes partes:
- 1Cr 1-9: História de Adão até Saul, cuja seqüência é construída graças a árvores genealógicas, elaboradas a partir de tradições antigas, de palavras de profetas e material acrescentado pelo próprio autor.
- 1Cr 10-2Cr 36: História da monarquia, desde Davi até Sedecias. O autor parece repetir as narrativas dos livros de Samuel e Reis. A leitura atenta, porém, mostra que ele recorre a outras fontes.
- Esdras e Neemias: História dos repatriados, desde o retorno do exílio até o ano 400 a.C. O autor se preocupa em mostrar os problemas dos judeus repatriados e a ação de Neemias e Esdras para organizar a sociedade judaica.

O conjunto dessa história procura mostrar o estatuto da sociedade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei (Fidelidade a Deus). Sob o domínio persa, os judeus agarram a única possibilidade que lhes resta para recuperar e preservar a sua identidade como povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa a ser o centro da vida da sociedade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da comunidade.

O autor, porém, não pretende apenas narrar a história dos judeus. Ele quer discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria comunidade judaica. Questão central é o problema da liderança que vai governar. Como os judeus só podem se estruturar a partir da religião, é natural que os sacerdotes detenham a liderança. Resta, porém, uma pergunta: Qual é o sacerdócio legítimo? Os descendentes do levita Aarão ou os descendentes de Sadoc? No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, resolvendo assim a questão da legitimidade em favor dos descendentes de Sadoc. 

Diante disso, fica outra pergunta: E os levitas, descendentes diretos de Aarão? Desde o tempo de Salomão, eles tinham sido expulsos de Judá e passaram a exercer suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o reino de Israel. Ligados aos profetas, eles preservaram e produziram tradições que formaram o livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no reino de Judá. Depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes.

O autor, muito provavelmente levita, produz toda essa literatura para reabilitar historicamente a figura do levita e, assim, reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade. É nesse sentido que podemos interpretar a expressão «aliança dos sacerdotes e levitas» em Ne 13,29 e a insistência contínua do autor em mostrar a importância do levitismo em toda a sua versão da história.

É claro que o autor não quer apenas arrumar emprego para os levitas. O que ele pretende é preservar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o projeto de Deus, dentro da legítima tradição do Êxodo. É inegável que essa tradição foi transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária. Podemos, portanto, dizer que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas.

Nas próximas posts vamos tratar separadamente os livros de Cronicas, Esdras e Neemias.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

Leia a Bíblia diariamente! Se você ainda não começou, comece agora, não deixe para amanhã. Você verá o quanto isso transformará a sua vida.

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Os Livros dos Reis - Série Curiosidades Bíblicas

DA GLÓRIA À RUÍNA

Os livros dos Reis eram, originalmente, um só livro, que continuava a narrativa de 1 e 2 Sm. Os compositores do AT grego (Septuaginta ou LXX) dividiram a obra em “3 e 4 Reinos” (1 e 2 Sm eram 1 e 2 Reinos). O Título “Reis” se deriva da tradução latina de Jerônimo (Vulgata) e é apropriado por causa da ênfase desses livros nos reis que governaram durante este período. Esta obra deve ter sido compilada algum tempo depois da tomada de Judá pelos babilônios em 586 aC. O livro dá a impressão de ser obra de um só autor e de que este autor tenha testemunhado a queda de Jerusalém. Embora a autoria não possa ser determinada com segurança, muitas sugestões foram feitas. Alguns tem indicado Esdras como compilador, enquanto outros apontam para Isaías como editor. Muitos eruditos dizem que o autor de 1 e 2 Rs era um profeta desconhecido ou um judeu cativo da Babilônia ao redor de 550 aC. seja o autor. A antiga tradição judaica do Talmude declara que Jeremias tenha escrito Rs. Esse famoso profeta pregou em Jerusalém antes e depois da sua queda, e 2 Rs 24-25 aparece em Jr 39-42; 52. Jeremias talvez tenha escrito todo o texto, menos o conteúdo do último apêndice (2Rs 25.27-30), que foi provavelmente, acrescentado por um dos seus discípulos.

Os livros relatam acontecimentos que vão de 971 a 561 a.C., continuando a história da monarquia iniciada com Saul e Davi. Depois de Salomão, o império se divide (931 a.C.) em dois reinos: o reino de Israel, com sede em Samaria, que caiu em poder da Assíria em 722 a.C., e o reino de Judá, com sede em Jerusalém, que caiu em poder da Babilônia em 586 a.C. Mais do que uma relação pormenorizada de acontecimentos, estes livros fornecem uma reflexão crítica sobre a história do povo e dos reis que o governaram: a fidelidade a Deus leva à bênção e à prosperidade; a infidelidade leva à maldição, à ruína e ao exílio (cf. 2Rs 17,7-23).

O critério da apreciação dos reis é a centralização do culto no templo de Jerusalém: Os que toleraram ou praticaram cultos fora deste templo, são todos reprovados. Portanto Jeroboão e todos os demais reis do norte são condenados pelo "pecado de Jeroboão" que consistiu na ereção e manutenção dos santuários de Dã e Betel. A maior parte dos reis do Sul são reprovados por terem tolerado ou não terem suprimido cultos fora do templo de Salomão. Apenas Ezequias e Josias são plenamente aprovados, enquanto Asa, Josafá, Joás , Azarias e Joatão o são com ressalvas.

No início, encontramos de novo uma teologia da autoridade política: o rei deve ser fiel a Deus (1Rs 2,3) e governar com sabedoria e justiça, servindo o povo (1Rs 12,7), que pertence unicamente a Deus (1Rs 3,8-9). Mas os reis são sempre infiéis, pois fazem «o que Deus reprova»: praticam a idolatria; «vendem» a nação para os estrangeiros; perseguem os profetas; dividem, exploram e oprimem o povo. Como conseqüência, Israel e Judá são levados à ruína.

O Templo e o profetismo têm um papel importante nessa história. O Templo é o lugar da reunião de todo o povo para o encontro com Deus, em todas as circunstâncias da vida nacional (1Rs 8). A reforma de Josias procura reunir novamente todo o povo a partir do culto no Templo (2Rs 22-23). Os profetas são aqueles que mantêm viva a consciência do povo, os vigias das relações sociais e os grandes críticos da ação política dos reis. Sua intenção de fazer respeitar a justiça e o direito está sempre em primeiro plano, e eles se ocupam tanto de religião como de moral e política, pois tudo deve estar submetido a Deus, o único rei sobre o povo (cf. Is 6,5; 44,6; Zc 14,16).

As decepções com a monarquia se multiplicaram e, com a queda dos reinos de Israel e de Judá, volta o antigo ideal igualitário das tribos, formulado agora por Jeremias como Nova Aliança: uma sociedade sem mediações, na qual o próprio povo governa a si mesmo, graças ao conhecimento de Deus (Jr 31,31-34). De fato o poder pertence à essência de Deus, e não à essência da humanidade. A humanidade é formada de pessoas relativas, isto é, de seres que se descobrem, se desenvolvem e se realizam dentro de relações que, para serem verdadeiramente humanas, devem ser justa.

A Bíblia mostra que o Reino de Deus, sempre vindo no horizonte da história, é o advento da humanidade unida e democrática, onde não há mais pobres e ricos, nem fracos e poderosos, e sim a justiça e o equilíbrio. O sentido último da existência de qualquer autoridade é servir ao advento do Reino de Deus, o que significa também ter a vocação de diminuir-se a si mesma, até tornar-se desnecessária e desaparecer. A ingratidão e infidelidade do povo eleito, a consequente ruína de Israel e depois de Judá parecem fazer fracassar o plano de Deus. Mas, apesar de tudo, sempre fica uns poucos fiéis que não se dobram a Baal, uns poucos de Sião que mantem a aliança. Estes poucos bastam para deixar viva a promessa da futura salvação.  O plano salvífico de Deus se mantem firme e inalterado, aparece na subsistência admirável da dinastia davídica, na qual repousam as promessas messiânicas, ao passo que o reino do Norte as dinastias se sucedem com muito sangue e violência. Todas as formas de absolutismo significam uma regressão no processo histórico. Regressão voltada para o fracasso, pois a história caminha para a meta que Deus fixou: o Reino.

Note-se a grande importância que é dada à pregação e atuação dos profetas, procurando manter o povo fiel a Deus e a aliança com Ele: "homem de Deus" em Betel, Aias,Elias,e Eliseu, Miqueias, Jonas e tantos outros.

Cristo Revelado
O fracasso dos profetas, sacerdotes, e reis do povo de Deus aponta para a necessidade do advento de Cristo. Cristo é a combinação ideal desses três ofícios. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do ofícios. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do grande profeta Elias (Mt 17.1-5), Muitos dos milagres de Jesus são reminiscências das maravilhas que Deus fez através de Elias e Eliseu em Reis. Além disso, Cristo é um sacerdote superior a qualquer daqueles registrados em Reis (Hb 7.22-27). 1Rs ilustra vivamente a necessidade de Cristo como o nosso Rei em exercício de suas funções. Quando perguntado se era rei dos judeus, Jesus afirmou que era (Mt 27.11). No entanto, Jesus é um Rei maior do que o maior dos seus reis (Mt 12.42). O reinado de cada um desses 26 governantes já terminou, mas Cristo reinará sobre o trono de Davi pra sempre (1Cr 17.14; Is 9.6), pois ele é “REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16).


O Espírito Santo em Ação
1 Rs 18.12 contém a única referência direta ao Espírito Santo, onde é chamado de “Espírito do Senhor”. 
As palavras de Obadias lá indicam que as vezes o ES transportava Elias de um lugar para outro (ver também 2Rs 18.12) Percebe-se uma relação com At 8.39-40, em que se descreve Felipe como tendo uma experiência similar.

Há uma alusão, em 18.48 (“a mão do SENHOR”), à ação do ES em capacitar Elias para operar milagres, A fórmula “mão do SENHOR” é uma referência à inspiração dos profetas pelo Espírito de Deus (ver 2Rs 3.15 e Ez 1.3; comparar com 1Sm 10.6,10 e 19.20,23). Aqui “a mão do SENHOR” se refere ao ES que dotou Elias com poderes sobrenaturais para realizar uma façanha surpreendente. Há também uma referência indireta ao ES na frase “Espírito de Elias” em 1.9,15. Aqui Eliseu tenta receber o mesmo poder de Elias para levar adiante o ministério profético do seu antecessor. O espírito enérgico ou o poder que capacitava Elias a profetizar era o Espírito de Deus. 2Rs 2.9,16 fornece um paralelo interessante entre o AT e At 1.4-9 e 2.1-4. Elias foi elevado ao céu, Eliseu procurou a promessa de que receberia poder para levar adiante o ministério do seu mestre, e a promessa foi cumprida. Da mesma maneira, Jesus ascendeu, os discípulos aguardaram o cumprimento da promessa, e o ES desceu para capacitá-los a levar adiante a obra que seu mestre começou. Uma alusão final ao ES aparece em 2Rs 3.15. Aqui a “mão do Senhor” veio sobre Eliseu, capacitando-o a profetizar ao rei Josafá. A formula “a mão do SENHOR” se refere à inspiração divina dos profetas. 

Além dessas passagens, 1Rs 22.24 pode ser outra referência ao ES. Esse versículo se refere a um “espírito do SENHOR” e pode indicar que os profetas compreendiam que o seu dom de profecia vinha do Espírito de Deus (ver 1Sm 10.6,10; 19.20,23). Se esta interpretação é aceita, então estaria em paralelo com 1Co 12.7-11, que confirma que a habilidade pra profetizar é realmente uma manifestação do ES.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

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Os Livros de Samuel - Série Curiosidades Bíblicas

FUNÇÃO DA AUTORIDADE

Os dois livros hoje conhecidos como 1 e 2 Sm eram originalmente um só livro denominado “O Livro de Samuel”. Não se sabe com exatidão quem realmente escreveu o livro. Sem dúvida, Samuel registrou boa parte da história de Israel neste período. No entanto, outros materiais haviam sido colecionados e puderam ser usado como fontes pelo autor real. Três dessas fontes são mencionadas em 1Cr 29.29, a saber: as “crônicas de Samuel, o vidente”, as “crônicas do profeta Natã” e as “crônicas de Gade, o vidente”. Tanto Gade como Abiatar tinham acesso aos eventos da corte do reino de Davi, de forma que ambos são candidatos à autoria desses dois livros. Os livros relatam acontecimentos que se situam entre 1040 e 971 a.C data posterior à divisão do reino em duas partes, divisão que aconteceu logo depois do governo de Salomão. Israel havia sido governado por juizes que Deus levantou em momentos cruciais da história da nação; no entanto, a nação havia se degenerado moralmente e politicamente. Havia estado sob a investida violentas e desalmadas dos filisteus. O templo de Siló fora profanado e o sacerdócio se mostra corrupto e imoral. Em meio a essa confusão política e religiosa surge Samuel. Temos aí uma análise crítica do aparecimento da realeza em Israel, análise que pode ajudar a avaliar nossos sistemas e homens políticos, bem como qualquer outra autoridade.

Em  1Sm temos duas versões do surgimento da autoridade política central: a primeira é contrária e hostil à monarquia (1Sm 8; 10,17-27), representando a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras mais produtivas. A segunda versão é favorável à monarquia (1Sm 9,1-10,16; 11) e representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas. Unindo as duas versões, vemos que a autoridade é um mal necessário (embora justificável, ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e, ao mesmo tempo, um dom de Deus (uma instituição mediadora, que deve re-presentar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que liberta e governa o seu povo).

1Sm oferece, portanto, uma visão crítica da autoridade política. Mostra que Deus é o único rei sobre o seu povo. Para ser legítimo, o rei humano (e seus equivalentes) deve ser representante de Deus, isto é, servir a Deus através do serviço ao povo. E isso compreende duas funções:
função externa: reunir e liderar o povo, auxiliando-o a proteger-se e a libertar-se dos seus inimigos (1Sm 9,16; Sl 110,2);
função interna: organizar o povo e promover a vida social conforme a justiça e o direito (Sl 72; Dt 17,14-20; Pr 16,12; 29,14).
As duas funções se resumem, portanto, numa dupla relação: obedecer a Deus e servir ao povo. Qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois acaba ocupando o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo.

2Sm está centrado na figura de Davi, cuja história começa propriamente em 1Sm 16, e nas lutas dos pretendentes ao trono de Jerusalém. Podemos dizer que 2Sm continua a avaliação do sentido e da função da autoridade política. Davi é apresentado como o rei ideal, que obedece a Deus e serve ao povo. Graças à sua habilidade política, ele consegue aos poucos captar a simpatia das tribos, sendo primeiro aclamado rei de Judá, sua tribo, e depois rei também das tribos do Norte. Após ter conseguido reunir todo o povo, Davi conquista Jerusalém e a torna, ao mesmo tempo, o centro do poder político e da fé de Israel.

O ponto mais alto da sua história é a profecia de Natã (2Sm 7), em que o profeta anuncia que o trono de Jerusalém sempre será ocupado por um messias (= rei ungido) da família de Davi. É a criação da ideologia messiânica: o povo será sempre governado por um messias descendente de Davi. Logo depois começa a competição pelo poder e pela sucessão e, finalmente, o trono é ocupado por Salomão que, por si, não era o herdeiro direto (2Sm 9-1Rs 2).

Davi passou para a história como o modelo da autoridade política justa. Por isso, mesmo com o fim da realeza, os judeus permaneceram confiantes no ideal messiânico e ficaram à espera do messias que iria reunir o povo, defendê-lo dos inimigos e organizá-lo numa sociedade justa. Dizendo que Jesus é descendente de Davi, os Evangelhos mostram que ele é o Messias esperado (daí o nome gregoCristo = Messias). Ele veio para reunir todos os homens e levá-los à vida plena, na justiça do Reino de Deus.

Cristo Revelado

Em 1Sm notamos que as semelhanças entre Jesus e o pequeno Samuel são surpreendentes. Ambos são filhos de promessa. Ambos foram dedicados a Deus antes do nascimento. Ambos forma pontes de transição de um estágio da história da nação para outro. Samuel acumulou os ofícios de profeta e sacerdote; Cristo é profeta, sacerdote e rei. O fim trágico de Saul ilustra o destino final dos reinos terrenos. A única esperança é um Reino de Deus na terra, cujo soberano seja o próprio Deus. Em Davi começa a linhagem terrena do Rei de Deus. Em Cristo, Deus vem como Rei e virá novamente como Rei dos reis. Davi, o pequeno e humilde pastor, prefigura a Cristo, o bom pastor. Jesus torna-se o Rei-pastor definitivo.


Em 2Sm observamos que Davi e seu reino esperavam a vinda do Messias. O cap. 7, em especial, antecipa o futuro Rei. Deus interrompe os planos de Davi de construir uma casa para a arca e explica que enquanto Davi não pode construir uma casa para Deus, Deus está construindo uma casa para Davi, ou seja, uma linhagem que dure para sempre. Pela sua vitória sobre todos os inimigos de Israel, pela sua humildade e compromisso com o Senhor, pelo seu zelo a favor da casa de Deus e pela associação dos ofícios de profeta, sacerdote e rei na sua pessoa, Davi é um precursor da Raiz de Jessé, Jesus Cristo.

O Espírito Santo em Ação

1Sm contém notáveis exemplos da vinda do Espírito Santo sobre os profetas, bem como sobre Saul e seus servos. Em 10.6, o Espírito Santo vem sobre Saul, que profetiza e “se transforma em outro homem”, isto é, é equipado pelo Espírito para cumprir o chamado de Deus. Depois de ser ungido por Samuel, “desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi” (16.13). O fenômeno do Espírito inspirando a adoração ocorre no cap. 10 e em 19.20. Esse fenômeno não é como o frenesi impregnado de emotividade dos pagãos, mas verdadeira adoração e louvor a Deus pela inspiração do Espírito, em semelhança ao ocorrido no dia de Pentecostes (At 2). Mesmo nos múltiplos usos do éfode, Urim e Tumim, esperamos ansiosamente pelo momento em que o “Espírito da Verdade” nos irá guiar em “toda a verdade”, nos falará sobre “o que há de vir” e “há de receber do que é meu (de Jesus)” e no-lo “há de anunciar” (Jo 16.13,14).

Jesus explicou a obra do Espírito em Jo 16.8: E, quando ele vier convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.” Nós vemos claramente a ação do Espírito Santo através desses dois modos em 2 Sm. Ele atuava com mais freqüência através do sacerdócio. Sua atuação como conselheiro pode ser apreciada nas muitas ocasiões em que Davi “consultou o Senhor” através do sacerdote e do éfode. A obra de convencer e de condenar do Espírito é claramente percebida quando o profeta Natã enfrenta Davi por causa do seu pecado com Bate-Seba e Urias. O pecado de Davi é desnudado, a justiça é feita, e o julgamento é anunciado. Isso, no quadro microcósmico de 2 Sm, ilustra o amplo ministério do Espírito Santo no mundo através da igreja investida do poder do Espírito.

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O Livro de Rute - Série Curiosidades Bíblicas

LUTA PELOS DIREITOS
O livro de Rute apresenta um roteiro para a luta do povo em busca de seus direitos. Os estudiosos discordam quanto à data do livro, uns asseguram que foi escrito em Judá, depois do exílio na Babilônia, pela metade do séc. V a.C, outros dizem que o livro composto em prosa narrativa, é uma história ficticia que, tanto pode interessar à dinastia de Davi, em cuja linha genealógica figura o nome de Rute,  porém o seu cenário histórico é evidente. Os episódios relatados nos livro de Rute se passam durante o período de Juízes, sendo parte daqueles eventos que ocorrem entre a morte de Josué e a ascensão da influência de Samuel (provavelmente 1150 e 1100 aC). 

Para os israelitas que voltam do exilio em época posterior o livro é uma parábola que formenta a mentalidade de abertura, em oposição aos extremismos nacionalistas do século IV aC. 

O período após o exílio foi muito difícil. Era preciso recomeçar tudo. As antigas tradições tinham sido esquecidas, e se tornava necessário fazer sérias reformas, que atingissem os fundamentos econômicos, políticos e sociais, para que o povo de Deus não perdesse sua identidade.

O autor do livro coloca princípios de orientação para reorganizar a comunidade, que sofreu grandes abalos. E isso acontece a partir da situação do povo, apontando-se o caminho para a luta em vista do pão, da terra e da família. Por outro lado, o livro salienta: Deus não quer leis que, em nome da ordem, cause opressão. É também uma grave advertência para aqueles que fazem as leis e para quem obedece à letra e não ao espírito das leis. Elas devem, acima de tudo, ser meios eficazes para que o povo tenha como defender seus direitos. Quando não servem para proteger o povo, devem ser modificadas, atualizadas ou abolidas. A protagonista do livro é uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem fronteiras: o amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista. Ele quer liberdade e vida para todos. 

A tradição rabínica assegura que Samuel escreveu o livro na segunda metade do séc. XI aC. Apesar do pensamento crítico mais recente sugerir a data pós-exílica bem mais tardia (cerca de 500 aC), há evidências na linguagem da obra bem como referencias a costumes peculiares próprios do séc. XII aC que recomendam a aceitação da data mais antiga.

É razoável supor que Samuel, que testemunhou o declínio do reinado de Saul e foi divinamente instruído para ungir Davi como escolhido de Deus para o trono, tivesse redigido o livro. Uma história tão comovente como essa certamente já teria sido passada adiante oralmente entre o povo de Israel, e a genealogia que a conclui indicaria uma conexão com os patriarcas, oferecendo assim uma resposta a todos aqueles que, em Israel, indagassem pelo passado familiar do seu rei.

Cristo Revelado
Boas representa uma das mais dramáticas figuras do AT que antecipa a obra redentora de Jesus. A função de “parente remidor” cumprida de forma tão elegante nas ações que promoveram a restauração pessoal de Rute, dá testemunho eloqüente a respeito disso. As ações de Boaz efetuam a participação de Rute nas bênçãos de Israel e a incluem na linhagem familiar do Messias (Ef 2.19). Eis aqui uma magnífica silhueta do Mestre, antecipando em muitos séculos a sua graça redentora. Como nosso “parente chegado”, ele se torna carne—vindo como um ser humano (Jo 1.14; Fp 2.5-8). Não importa a sua origem; o importante é a quem você está unido. Não importa se vens do paganismo, se nunca te ensinaram o evangelho quando criança – o importante é que se agarre ao seu resgatador Jesus Cristo que te faz parte da família de Deus. Faltava pão na casa de Pão (Belém), e Deus usou a estrangeira Rute para trazer a cabo o nascimento, naquela mesma cidade, do Pão da vida. 


Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

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“demônios do bem” Cristãos indignados com o filme Noé

Saiba por que cristãos do mundo inteiro estão boicotando o longa

O que se pode esperar quando Hollywood coloca as mãos na Bíblia? Uma megaprodução cinematográfica com orçamento de US$ 125 milhões (cerca de R$ 282 milhões), com direito a gigantes feitos de pedra, batalhas e explosões. Tudo isso somado a uma liberdade artística e uma imaginação excessivamente fértil do diretor Darren Aronofsky, que, por sinal, é ateu. O resultado é um longa-metragem sombrio, protagonizado pelo ator Russell Crowe, que dá vida a um Noé perturbado, que em quase nada lembra o escolhido por Deus no livro de Gênesis.
O abismo em relação ao que é relatado na Bíblia e a livre interpretação de Aronofsky geraram controvérsias. Países como Catar, Bahrein, Indonésia e Emirados Árabes declararam que a megaprodução hollywoodiana não chegará às suas telonas, enquanto Egito, Jordânia e Kuwait também mostraram intenção semelhante de proibir a exibição. Aqui no Brasil quem assistiu reclama do tempo perdido e do dinheiro jogado fora. “Acabei de chegar do cinema e estou profundamente decepcionada com o filme ‘Noé’. Na realidade, ele é antibíblico. Nele, até o diabo é um guardião bonzinho que na hora de morrer pede perdão e é salvo, a arca é construída em dez anos, o dilúvio dura apenas nove meses e, para encerrar, Matusalém morre nas águas do dilúvio”, desabafa Renata Rivielo, que assistiu ao filme no Rio de Janeiro.
Já o pastor Rodrigo Prota, após conversar com algumas pessoas que assistiram ao filme e ver imagens na internet, fez um desabafo: “Não vou assistir o filme. O trailer me deixou ansioso, mas percebi depois que ele foi estratégicamente editado para atrair e enganar quem conhece a verdadeira história. Durante toda a trama o nome de Deus nunca é citado. Existem anjos caídos, que na linguagem bíblica são demônios, que tentam ajudar Noé. Tudo bem colocar algumas coisas para complementar qualquer filme de história bíblica, já que a Bíblia em alguns casos não entra em detalhes. Fizeram uma bagunça com a história. Houve uma total distorção”, declara.
Há quem defenda a intenção do diretor, argumentando que ele não se baseou na Bíblia para contar a história de Noé, mas em outras mitologias, já que a história do dilúvio é contada por outros povos ao longo dos séculos. No entanto, Aronofsky admitiu que quis produzir um filme baseado na história do Noé bíblico. “Eu definitivamente queria fugir do clichê dos filmes bíblicos que mostram as pessoas da Judeia em túnicas e calçando sandálias. Isso aconteceu há muito tempo, o mundo pré-dilúvio estava na Bíblia, algo muito mágico e místico, que trata de anjos andando pelo planeta e de pessoas vivendo no milênio”, disse em entrevista ao site Collider.
Para Prota, o grande sucesso do filme nos Estados Unidos, que na semana de estreia superou a arrecadação de US$ 44 milhões, mostra um interesse da população em assistir histórias bíblicas. “A verdadeira história de Noé é fascinante e, por si só, já seria uma das grandes bilheterias da Paramount. As pessoas acreditam que o filme realmente vai falar sobre a Bíblia, mostrar a fé de Noé, mas na realidade é uma grande mentira, pois omite fatos importantes”, afirma o pastor.
O apelo comercial da Paramount, estúdio responsável pela produção, acabou se tornando um desserviço para aqueles que querem conhecer uma das mais importantes histórias da Bíblia. Noé foi um homem justo e exatamente por isso foi escolhido por Deus para sobreviver ao dilúvio e construir a famosa arca.
Além dos monstros de pedra, os “demônios do bem”, e das batalhas que nunca existiram nas Escrituras Sagradas, a distorção da imagem e do caráter de Deus é a mais grave e imperdoável das controvérsias do filme. Este “deus” do filme é cruel, intolerante e distante. A aliança dEle com seu povo (a parte mais importante da história de Noé) foi completamente ignorada. Você assistiria um filme que distorce a sua história e das pessoas que ama? Somente ao deixarmos de ver produções como essa é que Hollywood vai entender que não pode usar a Palavra de Deus da maneira que quiser.
Fonte:  Folha Universal edição 1149 mundo
Por Amanda Aron / Foto: Fotolia - AFP - Divulgação
Que Deus nos oriente,na Fé!

O Livro de Juízes - Série Curiosidades Bíblicas

DINÂMICA DO PROCESSO HISTÓRICO
O livro de Juízes é o segundo dos chamados "livros históricos" e recebeu esse nome em virtude de seu conteúdo. O livro de Juízes trata de um período que compreende a morte de Josué e o início da monarquia cobrindo um período caótico na história de Israel: cerca de 1380 a 1050 aC  ou segundo a igreja romana (1200 aC) e (1220 aC), narrando a ação de homens que "julgaram" ou "salvaram" Israel. Terminologia que serve para distinguir entre juízes maiores (Otniel, Eúde, Débora, Gideão, Jefté e Sansão) e juízes menores (Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom).
Trata-se de um tempo de «democracia tribal» (Jz 17,6; 21,25) e cheio de dificuldades. As tribos são governadas por lideres que têm um cargo vitalício (juízes menores); nos momentos de grande dificuldade surgem lideres movidos pelo Espírito de Deus (juízes maiores), que unem e lideram as tribos na luta contra os inimigos.

Duas histórias são acrescentadas ao Livro de Juízes (17.1—21.15) na forma de um epílogo. O propósito desses apêndices não és estabelecer um final ao período dos juízes, mas descrever a corrupção religiosa e moral existente nesse período. A primeira história ilustra a corrupção na religião de Israel. Mica estabeleceu em Efraim uma forma pagã de culto ao Senhor, a qual foi adotada pelos danitas quando estes abandonaram o território que lhes coube por herança e migraram para o norte de Israel. A segunda história no epílogo ilustra a corrupção moral de Israel ao relatar a infeliz experiência de um levita em Gibeá, no território de Benjamim, e a conseqüente guerra benjamita. Aparentemente, o propósito desta seção final do livro é ilustrar as conseqüências da apostasia e anarquia nos dias em que “não havia rei em Israel”.

O mais importante em Juízes é a chave de leitura da história, que vale não só para o livro, mas para toda a história de Israel. Essa chave é apresentada em Jz 2,6-3,6 e reaparece diversas vezes no texto. Segundo o autor, para levar à frente um projeto social, é preciso manter a memória ativa ou consciência histórica, adquirida através da resistência e da luta. A geração que luta mantém viva essa consciência. A nova geração, porém, quebra essa memória e ameaça fazer o projeto voltar atrás. O resultado é um conflito na história, entre a fidelidade a Deus e seu projeto, e o culto aos ídolos, que corrompe a sociedade.

Mas a história continua, e as novas gerações parecem estar sempre voltando à alienação da consciência, à perda da memória. À primeira vista, teríamos a tentação de dizer que a história é um círculo vicioso, que volta e termina sempre no mesmo lugar. O autor, porém, mostra que tal círculo pode ser quebrado: para isso, é necessário que cada geração assine o projeto de Deus e continue a luta dos antepassados. O desafio é extinguir completamente a idolatria, que impede a liberdade e a vida.

O Espírito Santo em Ação

A atividade do Espírito Santo do Senhor no Livro de Juízes é claramente retratada na liderança carismática daquele período. Os seguintes atos heróicos de Otniel, Gideão, Jefté e Sansão são atribuídos ao Espírito do Senhor:

O Espirito do Senhor veio sobre Otniel (3.10) e o capacitou a libertar os israelitas das mãos de Cusã-Risataim, rei da Síria.
Através da presença pessoal do Espírito do Senhor, Gideão (6.34) libertou o povo de Deus das mãos dos midianitas. Literalmente, o Espírito do Senhor se revestiu de Gideão. O Espírito do Senhor capacitou este líder escolhido por Deus e agiu através dele para implementar o ato salvífico do Senhor em benefício do seu povo.
O Espírito do Senhor equipou Jefté (11.29) com habilidades de liderança no seu empreendimento militar contra os amonitas. A vitória de Jefté sobre os amonitas foi o ato de libertação do Senhor em benefício de Israel.
O Espírito do Senhor capacitou Sansão e executar atos extraordinários. Ele começou a impelir Sansão para sua carreira (13.25). O Espírito veio poderosamente sobre ele em várias ocasiões. Sansão despedaçou um leão apenas com as mãos (14.6). Certa vez matou trinta filisteus (14.19) e, em outra ocasião, livrou-se das cordas que amarravam as suas mãos e matou mil filisteus com uma queixada de jumento (15.14,15).

O mesmo Espírito Santo que deu condições a esses libertadores para que fizesse façanhas e cumprissem os planos e propósitos do Senhor continua operante ainda hoje.

Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião.

Leia a Bíblia diariamente! Se você ainda não começou, comece agora, não deixe para amanhã. Você verá o quanto isso transformará a sua vida.

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DA CONQUISTA DA TERRA ATÉ O EXÍLIO NA BABILÔNIA - Série Curiosidades Bíblicas

Os livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis formam um conjunto coerente, relatando a história do povo desde a conquista da Terra (séc. XIII) até o exílio na Babilônia (586-538 a.C.). A comparação com os temas e o estilo do livro do Deuteronômio mostram que esse relato histórico foi não só influenciado, mas determinado a partir da visão econômica, política, social e espiritual do Deuterônomio. Em outras palavras, o livro do Deuteronômio fornece a chave de leitura para a interpretação dos acontecimentos relatados nessa história.

Segundo estudiosos essa literatura teve duas redações. A primeira foi feita no tempo do rei Josias, entre 622 e 609 a.C. Nessa época, foi descoberto no Templo o núcleo antigo do livro do Deuteronômio (2Rs 22,8ss). A partir disso, Josias organiza uma grande reforma político-religiosa (2Rs 22-23). Para fundamentar e justificar essa reforma foi escrita uma versão da história, desde o tempo de Salomão até o reinado de Josias. A segunda redação foi feita durante o exílio na Babilônia, provavelmente pouco depois de 561 a.C. (cf. 2Rs 25,27-30). Foi no contexto do exílio que se redigiu a grande história que vai da conquista até a perda da terra. O que o autor pretendia era não só explicar por que o povo foi exilado, mas, e principalmente, o que o povo deve fazer a partir dessa situação.

O autor se serviu de tradições antigas, talvez já parcialmente escritas, que ele reuniu e interpretou a partir da ideologia do Deuteronômio. Nesse livro se diz que a história depende da fidelidade ou infidelidade do povo à aliança com Deus. Se o povo for fiel, Deus lhe dará a bênção, isto é, uma história marcada pela prosperidade e harmonia em todos os sentidos. Se o povo for infiel,  atrai para si a maldição, isto é, o fracasso histórico, acarretado pela deterioração da vida social em todos os níveis, culminando com a perda da Terra. Tudo isso, de fato, acabou acontecendo.

E agora, tudo perdido? Não! O autor quer mostrar que Deus continua fiel, e que Israel tem pela frente uma grande tarefa: rever a história e descobrir onde estão os erros e por que eles foram cometidos. O sentido dessa história, portanto, não está no seu final, mas dentro do relato, na própria articulação da narrativa. É em Jz 2,6-3,6 que vamos encontrar a articulação dialética com que o autor interpretou a história: pecado maldição, conversão e graça (Isso ficará mais claro quando falarmos do livro dos Juízes). Aplicando esse esquema à história, o autor mostra para os exilados que Deus foi fiel à aliança: deu a Terra para que Israel nela construísse uma sociedade e uma história novas. Israel, porém, não foi fiel: esqueceu-se de Deus para servir aos ídolos (pecado e idolatria). Esse pecado foi cometido durante o regime monárquico, em que os reis traíram o projeto de Deus, servindo a outros projetos. A conseqüência foi uma decadência progressiva da vida social, que acabou acarretando o desastre nacional (maldição). Faltam, agora, os dois momentos finais do esquema dialético: a conversão e a graça.

Podemos dizer que toda essa história foi escrita para produzir esses dois momentos finais. E o autor deixa isso bem claro em passagens importantes de sua narrativa, tais como 1Sm 7,3; 2Rs 17,13; 2Rs 23,25 e, principalmente, 1Rs 8,46-53: se Israel tomar consciência de seus pecados, se se arrepender e sinceramente suplicar a Deus, este lhe concederá a libertação e uma nova situação de graça. Essa mesma exortação ecoa nos acréscimos exílicos ao Deuteronômio (cf. Dt 4,29-31 e 30,1-10).

O conjunto histórico formado por Josué, Juízes, Samuel e Reis, portanto, é um grande «evangelho», um anúncio que procura suscitar conversão e esperança. Para nós ele se torna um convite a também lermos a nossa história através da bênção e da maldição, da fidelidade e da infidelidade ao projeto de Deus. Também nós podemos utilizar o esquema dialético de Jz 2,6-3,6 para rever a nossa história, descobrir os erros que a paralisam e projetar a ação que abre o futuro da esperança. 

 Objetivo e Fonte:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento...” (Os 4.6)

Conhecer a Bíblia é muito importante para todos nós, especialmente nos momentos mais difíceis de nossas vidas, pois Deus fala conosco por meio de Sua Palavra. O Espírito Santo nos conduz, nos orienta, e quando passamos por tribulações, Ele nos faz lembrar do que está escrito na Bíblia, de uma Palavra de Deus que nos conforte. Mas só nos lembraremos se tivermos conhecimento Dela. Por isso, iniciamos a Série Curiosidades Bíblicas, com objetivo de despertar o interesse no leitor do Blog pelo conhecimento minucioso da Palavra de Deus, na Série Curiosidades Bíblicas utilizamos como base diversos materiais teológicos, dentre eles destacamos Bíblia Apostólica e Edição Pastoral alem de artigos diversos de teólogos conceituados. A Série Curiosidades Bíblicas não apresenta obrigatoriamente a nossa opinião. 

Leia a Bíblia diariamente! Se você ainda não começou, comece agora, não deixe para amanhã. Você verá o quanto isso transformará a sua vida. 

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