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A Escolha do Emprego - Série Trabalho II


"Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo,não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens,certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.(Efésios. 6.5-9)

Na postagem anterior mostramos que o trabalho é um espaço de sobrevivência financeira. O trabalho é um espaço de realização pessoal, pela interação que proporciona e pelas habilidades que permite desenvolver. O trabalho é um espaço de transformação da realidade.

Mostramos também que na instrução sobre o trabalho, em Efésios 6, o apóstolo Paulo orienta a pessoas, patrões e empregados, a como conviverem em seus empregos. Ele parte da realidade do emprego. Para chegarmos lá, precisamos falar da escolha do emprego.

Vamos ver então alguns cuidados,que deve ser levado em conta nessa escolha.

1. A escolha da profissão é um assunto de significado existencial e espiritual. Nossa realização como pessoas tem a ver com o acerto e com o erro nessa escolha. Não devemos tratar nossa escolha profissional apenas como uma questão de inteligência e de oportunidades. Precisamos de uma vida que não separe religião e vida. Tudo o que tem a ver com a vida tem a ver com Deus. Tudo o que nos importa Lhe importa.

2. A escolha da profissão tem que considerar o presente, sem esquecer o futuro. Assim, devemos estar atentos a todos os sinais do tempo, que podem vir de feiras, leituras de jornais, revistas e guias de emprego, programas de rádio ou televisão ou de portais eletrônicos. Devemos usar os recursos da imaginação bem informada para vermos cenários possíveis. A decisão deve ser racional. Há profissões em que a remuneração é mais baixa que outras; no futuro, na hora de reclamar, devemos nos lembrar que já sabíamos disto. Há ocupações que exigem alguns comportamentos dos profissionais, em relação ao tempo empregado e ao estresse envolvido, por exemplo. Uma vez ouvi de uma médica, casada, que escolheu determinada especialização, porque não demandava plantões, que ela não queria para a sua vida. Ela queria mesmo era ser obstetra, mas escolheu outra, porque sabia que a obstetrícia não sabe o que é noite, feriado ou férias longas. Precisamos nos expor a experiências diferentes.

3. A escolha da profissão deve ser regida pelo princípio do prazer, associado ao princípio da realidade. O princípio do prazer está na gênese; o da realidade, no meio e no fim do processo de escolha. Devemos prestar atenção para ver o que nos dá prazer. Uma boa maneira de saber de que gostávamos é notar o que não nos dá prazer. Se vemos sangue e nos horrorizamos, não devemos escolher profissões da área da saúde, por exemplo. Se detestamos matemática, a engenharia não nos é recomendável. Se não gostamos de conversar com pessoas, já sabemos que precisamos de uma profissão de pouco contato.

A diminuição de algumas possibilidades diminui a nossa tensão na escolha. Em todas as situações, precisamos estar atentos ao ideal profissional que temos com o real de que dispomos. E aqui introduzo o gosto por algumas áreas, como arte e esporte. Ilustro com um caso. Conheci um menino, excelente jogador de futebol, que começou a tentar vencer treinando em pequenos e grandes times. Chegou a um grande time, ainda amador, e se encantou. Seus pais e amigos diziam para que continuasse a estudar. Ele achou que iria vencer e ganhar muito dinheiro, sem precisar estudar. Não passou na peneira. Hoje é um jogador frustrado e não se fixou em nenhuma outra profissão.

No caso da arte, especialmente a música, há possibilidades, mas são poucas, porque a arte não é valorizada como deveria. Não se deve abandonar o prazer, nem o ideal, mas o ideal é que o interesse pela arte seja acompanhada, se for o caso, por alguma outra profissão, numa dupla e dura jornada. Alguns, quem sabe, poderão se dedicar só à arte, sabendo que o retorno financeiro é alto de risco. A peneira é muito fina. Vejamos os casos dos escritores brasileiros: quantos podem viver dos seus livros? Mesmo os maiores vivem do trabalho como jornalista ou colunista. A maioria dos livros publicados no Brasil não foi produzida por escritores de tempo integral, nem por isto deixaram de ser escritores e se realizarem como tais. Nem sempre devemos colocar todos os ovos apenas numa cesta.

4. A escolha da profissão deve deixar em equilíbrio duas possibilidades: a da realização pessoal e a realização espiritual. Este equilíbrio acontece quando o trabalho é desenvolvido com um sentido de missão. Para que e para quem fazemos o que fazemos?

José, do Egito, tinha uma visão clara a este respeito. Quando se revelou aos aterrorizados e covardes e aterrorizados irmãos, explicou porque chegou ao cargo de primeiro-ministro: "Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês. (...) Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento. Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito. Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores" (Gênesis 45.5-9)

Numa hora de grande dificuldade, Mardoqueu aconselhou à rainha Ester, com palavras que se aplicam a todo aquele que vive para Deus, mesmo num ambiente em que a palavra "Deus" não deve ser pronunciada ou num ambiente dominado por uma racionalidade totalmente econômica ou tecnológica: " Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, você será a única entre os judeus que escapará, pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família do seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?" (Éster 4.13-14).

Paulo, ao fazer um resumo de sua carreira, concluiu: "Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Atos 20.24) O que ele queria mesmo era dizer, ao final de sua vida: "Combati o bom combate, terminei a corrida [carreira -- ARA], guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda" (2 Timóteo 4.7-8).

5. Em termos práticos, se as coisas estão claras, devemos fazer nossa escolha e trabalhar duro para leva-la adiante. Se as coisas não estão claras, e o horizonte da escolha nos parece obscuro, no próximo post apresentaremos algumas sugestões.

Sugiro que seja lido os três posts da "Série Trabalho".

Que Deus nos oriente,na Fé!!


Texto adaptado origem: "O Prazer da Palavra"

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